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Razão e sentimento

Razão e sentimento
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Uma menina-mulher sonharadora convicta, pore´m de uma racionalidade necessária.

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terça-feira, 16 de dezembro de 2008



As coisas estão complicadas para mim. Não consigo mais estudar. Me esforcei tanto, fiz tudo que eu podia: perdi fins de semana, fui dormir tarde, chorei com notas baixas, estudei para melhorá-las e em algumas até melhorei e agora sinto como se nada disso tivesse adiantado. É um sentimento estranho, não consigo explicar. Quero me esconder em casa para não ver meus amigos falando nesse tal vestibular, mas ao mesmo tempo sinto falta deles.


Tenho vontade de chorar, entro e saio, passeio pelos cômodos de minha casa, parece-me tudo tão vazio, tudo tão sem lógica e como se não bastasse ainda tem meus pais, que sem querem, ficam me pressionando. Querendo que eu tome decisões. Como é que eu posso decidir alguma coisa?


Só tenho certeza de uma coisa; quero sumir, desaparecer por um tempo, dormir (quem sabe) e quando eu acordar tudo estaria resolvido. Como seria bom isso.


Converso com as pessoas, esperando que elas me digam algo, me digam como vou agir, o que vou fazer, mas elas não podem, ou não dizem, sei lá. Eu realmente não sei mais de nada e como se tudo isso não bastasse, amanhã terei que retornar às aulas. RECUPERAÇÃO. Era só o que me faltava, ter ficado de recuperação e ter que olhar para cara dos mesmos professores, com as mesmas brincadeiras.


Não é por eles, eu até gosto muito de alguns, mas é por mim. Eu sinto que não posso mais. Esgotei minhas forças à toa. Não passei na droga do vestibular. E agora essa palavra desperta em mim as piores sensações. Preciso me preparar porque ainda vou ouvi-la incessantemente. arrrg...


Sei que vou ver tudo aquilo como um retrocesso, como algo que eu deveria estar livre, ou que pelo menos tivesse a esperança de estar. Estar ali é lembrar que precisarei passar mais meio ano ou até um estudando de novo, vendo tudo outra vez.


O log da Era Vargas tem influência direta no Realismo no Brasil que estando sob a raiz quadrada do movimento uniformemente variado da voz passiva vai dar uma montanha de coisas que não queria ver, ouvir, passar...


Preciso me concentrar mais em mim, me acalma em relação a essas coisas chatas que preciso passar agora. Acho que farei como uma amiga sugeriu, terei calma, irei passo a passo, uma coisa por vez. Por enquanto vou pensar e me preparar apenas para ir à aula e ouvir a tal palavra chata, depois eu vejo os outros pontos.


As coisas têm que melhorar. Ou podem ficar pior? Não, não podem.


segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
As pessoas se escondem atrás de máscaras. Elas não são o que sentem, e isso é bom. Hoje eu estava assistindo Dr. House e comecei a pensar (apesar dele ser um personagem) nas dores que as pessoas escondem.
Muitas vezes, somos grosseiros, estranhos ou até mesmo idiotas por estar sentindo uma dor imensa e precisar escondê-la. Esconder é necessário. ninguém tem que saber da nossa alma, talvez, os amigos mais íntimo, talvez nem esses, pois, de repente, eles podem usar nosso segredos contra nós.
O fato é que somos várias pessoas em uma. mesmo sem querer, mesmo sem ser falsa com ninguém.
domingo, 14 de dezembro de 2008




Nunca deixarei de ser criança, de brincar,

de tirar o melhor proveito das coisas da vida.

Não deixarei de sorrir por bobagem;

de ver o ocaso com olhos ingênuos.
Não deixarei que minha mente envelheça.
Serei eternamente adolescente,
afinal essa é a melhor fase da vida.


sábado, 13 de dezembro de 2008



A cada dia aprendemos coisas novas, esse é o lance da vida. hoje eu aprendi que:
  1. Podemos ser felizes com as coisas simples do mundo: um sorvete com amigos, um cinema com filme de humor, assistir DVD em casa só para relaxar.
  2. Podemos terminar etapas, mas sempre recomeçaremos outra.
  3. Podemos passar por fases das mais variadas cores, porém o que vale mesmo a pena é o colorido que fica em nossas almas.
  4. Pessoas passam por nós e deixam os mais variados sentimentos, mas devemos aproveitar somente os que são alegres e positivos.
  5. Devemos respeitar a opinião e alheia, sem se revoltar se ela não for a sua, ou a que você ver mais claramente.
  6. Devemos amar somente a quem nos ama.

Ah, aprendi também que o ser humano não gosta de atenção e carinho nem de demonstração de amor. Ele gosta mesmo é a da dúvida. É a dúvida que faz com ele se manifeste para você e não você para ele.


Às vezes eu queria não perceber as coisas. Queria ser uma pessoa que realmente passa pela vida e que não vê o que está ao seu redor. A ignorância, por vezes, é amiga da gente, mas a gente teima em afungentá-la. Tem algo mais confortante que não saber?!?!

Não, naverdade quanto mais se sabe, mais se sofre.

Para comprovar isso não é difícil. É só pararmos e pensarmos que se tivermos uma doença, mas não soubermos seus verdadeiros males, não sofremos. No entanto se sabemos que ela causará dor e morte, sentimos a dor imediatamente e a morte parece mais próxima.
Um amigo certa vez me disse que a partir daquele dia (dia do pronunciamento), ele queria viver a ignorância. Que quando alguém chegasse para ele e dissesse:
"Tenho uma coisa para te contar." - E demosntrasse a menor seriedade no olhar. Ele responderia:
"Não, obrigado. Não quero saber!"
Na ocasião ri dele, achei aquilo muito engraçado. Até repeti algumas vezes. Porém, só hoje percebo a validade dessa frase. Então sou eu, neste momento, que digo:
"A partir de hoje, quero viver na ignorância e nem adianta tentar me oferecer segredos porque eu direi não, obriada."
quinta-feira, 11 de dezembro de 2008


Olhava-o ao longe e em sua mente passavam os pensamentos mais sensuais possíveis. Sempre fora assim. Isso a incomodava, nunca tinha acontecido antes. Seus olhos nos dele - olhos de um brilho descomum, com longos cílios que lhes davam um quê de especial, de encantamento. Porém o que lhe chamava mesmo a atenção era o brilho, um brilho doce de inocência e pecado, de ternura e tesão. - fixaram-se nos dela. Um arrepio percorreu todo seu corpo, iam se aproximando, as bocas entre-abertas, desejavam-se.

Ela não podia fazer o que seu corpo pedia, não podia destruir o crédito que demorara tanto para conseguir. A razão gritava seu nome tentando fazê-la voltar a realidade, gritos em vão, gritos ao longe e cada vez mais inúteis. Suas mãos se encontraram. Não devo. A razão sorriu. Aproximaram-se mais. Os olhos continuavam fixos, as mãos dadas acariciavam-se num terno roçar e entrelaçar de dedos. Tantas vezes olhava a foto dele, tantas vezes desejava-o, mas agora era diferente. Ele estava ali com ela, envolvido no momento.

Aquele sorriso largo de garoto levado sumira e dera lugar a uma boca atraente, a língua passando levemente pelos lábios faziam-na desejá-lo mais. Imaginava o encontro das bocas molhadas de saliva e mais um arrepio corria-lhe pela espinha.

Ele piscou os olhos, quabrando o contato intenso e mexeu os lábios para falar algo, talvez desnecessário àquele instante, talvez racional demais para ela. Preferiu não ouvir. Pôs o dedo na boca dele em sinal de silêncio.

"Não diga nada!"

E o silêncio instaurou-se novamente, as mãos suadas, agora seguravam-se com força carnal, deslisavam uma pela outra com sofreguidão, uma delas subia-lhe pelo braço levemente, quase não a tocava e chegava a nuca por baixo dos cabelos, os dedos seguravam com ânsia alguns fios e ela fechava os olhos, sentindo-se entregue.

Abriu os olhos e viu não só seus lábios, mas todo seu corpo colado no dele, as bocas entregues, olhavam-se de vez enquando como se não acreditasse no que estava acontecendo. Nada era dito por medo de destruir as sensações de ambos. Apenas beijavam-se entregues um ao outro.

"Clarissa...Clarissa, o Sr. Pablo a chama."

"Sim...sim!" - respondeu desajeitada e entrou na sala do diretor.


terça-feira, 9 de dezembro de 2008



"O pior cego é aquele que não quer ver"





As pessoas têm uma tendência natural a idealizar, gostam de serem cegas. A cegueira libera a imaginação e cria um mundo novo e se é para criar por que precisa ser algo próximo do real? A realidade se vive. A cegueira traz conforto.
Sabe o que é melhor em ser cego? A visão. Sim, a visão. Você não sabe que os cegos enxergam? Fecham-se os olhos físicos e abrem-se os olhos da idealização. Todos somos cegos em algum momento, todos transformamo-nos em cegos quando essa cegueira traz calma, tranquilidade.
Uma das cegueiras mais comuns é a que envolve relacionamentos, não interessa o tipo: pode ser um amor que não existe, pode ser uma amizade que não era do tamanho que parecia ou até um ato de caridade que depois de feito. Mais cedo ou mais tarde nos pabulamos do favor prestado.
Quando se está cego de amor, por exemplo, um talvez dito com voz murcha é um sim; um 'agora eu não posso, me dá um tempo' é me espere, um dia serei seu. Não queremos enxergar. Nosso senso de realidade foi substituído, até nossos ouvidos nos enganam.
E em relação a amizade isso piora. As pessoas pintam esse sentimento das cores mais lindas, cores que despertam o desejo de todos. Há quem passe a vida toda querendo uma amizade verdadeira. Bobagem.
As amizades são exatamente como os amores e os favores prestados, mais cedo ou mais tarde elas se vão; mais cedo ou mais tarde eles serão cobrados. Só são lindas e verdadeiras enquanto vive-se a cegueira. Não agüentam as más-impressões, não agüentam as verdades.
Eu mesma acreditei na amizade, uma amizade que eu lutei tanto para conseguir e não me perguntem por que lutei, nem eu sei, mas eu acreditei. Vi nesse sentimento uma parte de minha vida realizada.
Bobagem a minha, a amizade só foi verdadeira enquanto eu me humilhava, enquanto eu corria atrás, assumia todas as culpas, pedia perdão pelos erros feitos e recebidos. No instante que cansei disso, ela passou a ser nada.
Talvez a melhor maneira de viver seja exatamente sermos cegos, talvez o certo e a única forma de suportarmos a verdade seja enfeitando-a um pouco. Não recrimino isso, eu faço e farei se esse "fake" me tirar as dores do mundo.
Bobagem a minha acreditar que a amizade, que os sorrisos e os apoios mútuos eram reais. Eram apenas mais uma das cegueiras que criamos.