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terça-feira, 3 de junho de 2014
Para: Arthur
Assunto: Festa da Tifany
Ei Arthur, vai rolar você ir à festa da Tifany, né?
Nem te respondi aquele último e-mail porque fiquei meio chateado. Não devia ter falado nada, né? Mas também, eu lá sabia que você estava interessado na Mayra. Você não conta as coisas direito e depois reclama.
Te espero na festa.
P. S. : Pode levar alguém se quiser.
Flw,
Dário
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segunda-feira, 2 de junho de 2014
As pessoas idiotas merecem sofrer e muito para deixar de ser idiotas. Mas parece que é sempre pouco. Eu sou um exemplo vivo disso. Hoje ouvi uma frase que não merecia ouvir. Não merecia mesmo, porque as pessoas nem sabem o que se passa na minha mente e já julgam. Num tô dizendo, a humanidade merece ser banida do planeta.
As pessoas me conhecem e sempre viveram comigo e meus "defeitos" nunca foram problemas e agora são. Sabe o que é isso? Confiança demais, amor demais para quem talvez não mereça. Mas as pessoas idotas um dia aprendem, e as pessoas amadas um dia sentem faltas das idiotas que estavam sempre ao seu lado.
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Poxa, fazia muito tempo que não me sentia CHATA e INSUPORTÁVEL como ontem. Menina, se alguém aí acredita em espiritos ruins, aquele era um caso claro de espírito do mal soprando no seu ouvido para dizer coisas desagradáveis e fazer coisas sem noção.
Quando até eu digo que eu estava INSUPORTÁVEL, imagina quem foi obrigado a ficar ao meu lado? Se bem que eu devo ter ouvido pelo menos umas cinco vezes a frase "Amor, tu tá chata, ó!" e umas duas vezes: "A Lourena hoje tá um porre!"
Eu mereci cada frase ouvida. Deve ser os hormônios, pelo menos prefiro culpá-los, é mais aceitável que um espírito ruim soprando em meu ouvido.
Mas o fato é que só melhorei quando assisti um episódio de "Charmed" em que um anjo negro ficava falando para as pessoas fazerem bobagens. Aí me toquei que eu era mais forte que qualquer espírito ou qualquer hormônio que pudesse me atormentar.
Quando você estiver assim como eu estava ontem. Por favor, mande assa tal de TPM para bem longe. Diga a si mesma que você é maior que ela e SEJA MUITO FELIZ. Aproveita cada instante ao lado de quem você gosta. Não disperdice oportunidades como eu disperdicei ontem.
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MAYRA
Tinha sido um dia difícil par Mayra. Depois de uma manhã inteira de aulas e uma tarde estafante de estudos, tudo que Mayra queria era descansar a mente, não pensar em nada para não misturar tudo que ouvira ou que tentara ouvir na aula. Força + A(azão)a(azinho) + Oração Subordinada num sei de quê... Eram tantas coisas juntas... sem contar a tal redação que teria de escrever. Escrever... como é que se consegue escrever sobre a problemática da Copa no Brasil quando se estar pensando em amor? Alguém pode me responde?!.
Arthur havia sumido. Será que se chateou por eu ter desejado felicidades? Ah, mas isso seria bom demais porque se se chateou é porque estava preocupado em me impressionar. Para tudo, Mayra. Era necessário parar aquele pensamento insistente sobre Arthur e os supostos sentimentos dele. Quando foi mesmo que eu me apaixonei? Mayra lutava com seus pensamentos e lembranças.
Naquele dia na aula sentamos juntinhos para fazer a tarefa e lá passamos o resto do dia. Poxa como eu fiquei feliz. Ele ali ao meu lado e eu sentindo o calor de seu corpo. Era pouco eu sei, mas para mim era o bastante.
Pior agora que fico abrindo loucamente minha caixa de email e nada de notícias. Bem que eu poderia enviar um email assim:
Oi Arthur, saudade de você. Quando vamos nos encontrar para bater um papo e matar as saudades?
Que ousado! Ela jamais se atreveria. Mayra era daquelas meninas educadas e que concordava que a iniciativa deve partir do homem, nunca das mulheres. O jeito era esperar por uma oportunidade. O aniversário da Tifany estava próximo e certamente Arthur, como melhor amigo de Dário - namorado de Tifany, tinha sido convidado.
Releu o poema que escreveu na aula de Física. Foi causa desse poema que Mayra não tinha a menor ideia do era pêndulo e o que isso tinha a ver com aquela infinidade de fórmulas que Física traz.
Queria saber o que eu sinto agora.
Se é torpor, dor, calmaria, estranheza ou choque.
Se me falta o chão ou o ar...
Se quero ir ou ficar.
Queria saber o que sou agora.
Se uma só pessoa ou uma pessoa só.
Queria falar... Calo.
Queria ir... Fico.
Queria gritar... murmuro.
Queria você... não tenho.
{...}
Quem eu sou agora?
O que sinto hoje?
Como vou, se não ando?
Como digo, se não falo?
Calo...
Paro...
Fico...
Me perdi em mim mesma esperando você.
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domingo, 1 de junho de 2014
ARTHUR
A escola nova, já não era não nova assim em relação ao
tempo que estava lá, mas era completamente nova nas regras, nas amizades, nos
professores e Arthur não conseguia se aclimatar tão rápido como os outros
meninos de 16 anos. Ainda bem que conhecera Matheus, um rapazinho também
tímido, mas bem mais desenvolto com as pessoas que Arthur, que havia estudado
em uma escola diferente da dele, e que tinha tido a mesma professora de Literatura,
que gostava de fazer umas brincadeiram envolvendo alunos da sala. No caso de
Matheus com uma garota chamada Débora. A brincadeira já havia dado certo e eles
estavam ficando (como dizem). Depois certamente ficaremos sabendo como se deu o
romance entre Débora e Matheus.
Na
primeira semana de aula sentaram lado a lado e mesmo depois de alguns dias
começaram a conversar por causa de uma caneta que havia caído. Sabe como é, né?
Difícil mesmo só as primeiras palavras ,depois junta-se a vontade de fazer
amizade em um lugar novo com a possibilidade de algum mínimo acontecimento e
pronto, logo se descobre de onde vieram onde estudaram e as coincidências
começam a aparecer.
Engana-se
quem pense que nessa mesma semana descobriram a professora em comum. Demorou
muito mais, mas o fato é que chegaram a esse MMC, no caso MFC - mínimo fato
comum, troca-se "múltiplo" por "fato". Matheus acabou
conquistando a confiança de Arthur e eles se tornaram melhores amigos. Não digo
que eram melhores amigos de infância, esse lugar já era ocupado por Dário, mas
pelo menos melhores amigos da escola. E sempre se procura alguém que possa
conversar e trocar uma ideia naquelas horas em que a aula fica chata. Andavam
de cima para baixo e as confidências foram acontecendo aos pouco.
― Cara
eu tinha uma professora de Literatura que era muito engraçada, quer dizer, ela
ficou engraçada depois. No início era chata e a galera não gostava muito dela,
mas ano passado ela ganhou a simpatia de todos e eu ajudei nisso. Nas
oportunidades do conteúdo, ela ficava tirando brincadeiras comigo e com a
Débora, minha namorada. Aí já viu, né? Aluno adora um movimento.
― Qual o
nome dessa professora?
Arthur
percebeu logo uma enorme coincidência. Seria possível duas professoras com o
mesmo estilo? Não. Não seria a mesma, afinal de contas Matheus nem era de seu
bairro. Mesmo assim resolveu arriscar:
―
Lourena Gomes.
― Não acredito que tivemos a mesma professora. Olha aí
que mundo pequeno. Ela foi minha professora também e fazia exatamente a mesma
coisa comigo e com a Mayra. A diferença aí é que não estamos namorando. Não é
uma baixinha que cabelos curtos que vive preso e fala "é tennnnso"
assim arrastando o "en"?
― Sim.
Ela mesma. Por quê?
―Por que
o casal escolhido na escola onde eu estudava éramos eu e a Mayra.
―
Hummmm. já vi tudo.
Houve
uma pausa tensa e a voz saiu meio indecisa acabou por contar.
― Cara,
pra falar a verdade eu nunca senti nada pela Mayra naquela época. Claro que ela
era e é uma menina muito bonita, meiga, de olhar doce... A gente era amigo, e
ainda é, e também eu tinha outras amigas e tal. A Lourena sempre falava da
gente, nessas brincadeiras aí que você mesmo disse e eu nunca ligava, mas
lembrei dela um dia desses e do dia do aniversário dela que passei maior vexame
por causa da Lourena que fez os meninos ficarem grintando meu nome na hora do
cerimonial. Imagina aí a tensão: em pleno aniversário de 15 anos, aquela coisa
toda e eles gritando por mim.
― Kkkkk por essa eu não passei... mas enfim por que vocês
não deram certo. Comigo e a Debóra foi assim. Ela ficava falando e a gente
entrou na brincadeira também e de repente a brincadeira virou realidade.
― Como eu tava dizendo. Lembrei dela um dia desses e mandei
um email para dizer da lembrança, aí um amigo meu falou pra ela que tava
namorando e ela comentou na resposta do email. Desse dia em dia eu fiquei
pensando nela. Nem sei explicar. Pior que tô enrolado aí com a Bruna e fica
complicado.
O sinal do intervalo tocou e eles tiveram que voltar para
sala de aula. No entanto a partir dali Arthur ficou com os pensamentos
embotados pelos rostos das duas meninas. A aula seguia e nada de Arthur saber que o Carbono é tetravalente ou seja lá o que
fosse. Uma ligação dupla já era demais para o carbono que ele havia se tornado
nos últimos dias.
― Como é mesmo, professor. Não entendi direito. ― Arthur
ultrapassou a timidez e perguntou.
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4º Diário de Mayra
Querido Diário,
Hoje aconteceu uma
coisa boa seguida de uma coisa ruim. Sabe como é, né? Nada vem sozinho.
Enfim... O Arthur deu o ar da graça, quando abri meu email e vi lá "Arthur",
eu nem acreditei, quase desmaio. Nunca pensei que ele fosse manter contato,
ainda mais por email, apesar de estar "na moda" não é muito a cara
dele. Será que ele perdeu meu número de celular? Pois bem, vamos aos fatos.
Ele mandou email para
falar que havia pensado em mim, na verdade lembrado de mim, mas prefiro dizer
que ele pensou em mim - irrelevante - e que havia lembrado das loucuras da
Lourena. Ahhh se ele lembrasse sempre! Seria perfeito. Era uma forma de pensar
em mim sempre e desse pensar vem uma certa saudade e tal... quem sabe, né? Mas
antes que eu me empolgasse de vez, fui comentar com o Dário que ele havia mandado
o tal email. Pra quê? Parece até que eu estava procurando um balde de gelo para
jogar em mim mesmo.
O Dário disse que ele
tava namorando com uma menina do grupo de oração dele. Bruna, Bianca... sei lá,
nem quero saber. Saber do namoro já era suficiente pra eu ficar desanimada,
saber com quem já é demais.
Respondi o email numa
boa, lembrei o meu niver de 15 anos, claro, porque afinal de contas ele tinha
tocado no assunto e dei uma de superior, mandei felicidades para o tal namoro.
No fundo, no fundo eu espero que ele negue, mas por enquanto nada. Vamos ver,
né?
Mayra
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