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- Uma menina-mulher sonharadora convicta, pore´m de uma racionalidade necessária.
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segunda-feira, 23 de junho de 2014
Diário de Mayra
Querido Diário,
Como me sinto perdida
agora. Essa ansiedade que toma conta de mim definitivamente não vem de Deus. Eu queria, juro que queria sumir e
não aparecer mais, ou, quem sabe, me transformar em uma nova pessoa, esquecer
essa bobagem de Arthur e Túlio. Desistir dos dois. Queria mesmo passar um dia
sem pensar nisso. Mas isso é tão importante pra mim.
Minha cabeça dá mil
voltas e depois do que a Mari me disse eu tenho de pensar, e pensar, e pensar... Nossa que confusão! Será que é realmente simples como ela disse? Não quero usar
o Túlio, mas também não quero perdê-lo. Ele é o que tenho e perder o que tenho
significa perder tudo. Será que eu me apaixonaria por ele? Bem, pra isso eu
precisaria deixar de ver o Arthur.
Ai Arthur... Já estou
falando em Arthur de novo. Eu prometi a mim mesma que não ia mais pensar nele,
mas eu esqueço disso e quando vejo tô lembrando de um dia na escola, de quando
ficamos próximos, de como me apaixonei por ele... parece até que tudo me lembrar Arthur. Que praga!
Lembrei agora de um dia
que estava havendo prova bimestral e sempre ficávamos por último, nesse dia não
foi diferente. todos já haviam ido embora e nós lá lutando louca e bravamente
com aquela prova de Química. Quando percebi estávamos só eu e ele. Quando o
professor foi embora, depois de entregarmos as prova, claro, ficamos comentando
as questões e teve um momento lá que minha prova caiu e nos baixamos
sincronicamente para pegá-la e rolou aquela cena de novela onde os dois se
baixam no mesmo instante e pegam o papel um com a mão sobre a mãe do outro e os
olhos se encontram e você suspira, pois foi bem assim que tudo ocorreu. Eu,
pelo menos, suspirei. Teve um lance ali, eu sei. Eu senti. Nisso não tô louca.
Arthur era sempre tão
misterioso que ficava difícil saber como as coisas se processavam. Eu o
observava, mas nada conseguia descobrir, exatamente como agora. Eu penso nas
coisas que ele faz: no tapa na cara do Túlio por ciúmes, sim porque aquilo fora
ciúmes dos mais puros que já vi na vida; no telefonema me chamando para ir à
praia... ficou tão claro pra mim que ele queria que eu fosse, eu não posso e
nem quero ter me enganado nessa parte. Por que uma outra pessoa não ligou? Se
era um convite sem precedentes, era ter mandado uma outra pessoa ligar. Por que
ele havia de ligar justamente depois de uma noite tão agradável com o Túlio?
Eu sei, diário, tõ
perdendo meu tempo e meu juízo com tantas perguntas. Sei que elas não me
levarão a lugar algum, mas eu queria encontrar as respostas para elas, como eu
queria... Às vezes tenho vontade de encostar o Arthur na parede e dizer "
E aí cara, qual é a sua? Você me quer ou não me quer? Porque cansei disso tudo.
Cansei de não saber se você gosta de mim ou se eu sou uma espécie de criatura
com visão cósmica que imagina e vê coisas." Mas quem disse que tenho essa
coragem toda.
Conversei com minha mãe
sobre isso, quer dizer, sobre o fato de gostar do Arthur e não saber examente o
que ele quer, mas ela só me disse que eu era jovem demais para estar preocupada
com essas coisas, que tudo isso não terá a menos importância daqui a 5 anos. Cinco
anos? Poxa, cinco anos é muito tempo e pode até ser que não tenha importância,
mas eu não estou no futuro e agora isso tem toda a importância do mundo.
O Túlio, pra piorar a
situação ainda me liga. E por mais que eu ame o Arthur e não tenha dúvida disso,
a nossa noite na Beira Mar foi tão legal, divertida, carinhosa e ainda teve
aquele beijo que aconteceu de uma forma tão natural. Ele beija muito bem, viu?
Vou te contar... Se eu não tivesse provado daquele beijo, estaria só achando
que eu estava perdendo apenas um garoto cobiçado, no entanto não posso negar
que tudo aquilo mexeu comigo, que tive vontade de ficar com ele.
O beijo foi assim de
uma emoção ímpar. Isso porque foi de repente, porque foi natural. Quando se planeja
muito uma coisa, nada sai certo, acho que porque a gente cria expectativa. Mas
também teve um agravante positivo para eu ter gostado daquele beijo. Eu estava
livre, complemente livre. Com raiva do que tinha acontecido. Disposta a viver.
Preciso me dispor a
viver agora e ter coragem de ligar para o Túlio e marcar um encontro, e
deixar-me beijar novamente, e libertar minha mente, que para mim é bastante
perigosa... Ai, meu Deus... quanta coisa! Tem muito "e" nessa
história. Mas me diga sinceramente, tem sentido eu ficar sofrendo e sonhando
com a vinda do Arthur a minha casa para que me diga "Mayra eu gosto de
você, eu quero ficar com você" se ele tá lá com a Dente de Cavalo? Claro
que não.
Ai diarinho do meu
coração, me ajuda a me entender! Me ajuda a saber oq eu devo fazer ao certo, me
ajuda a decidir a minha vida.
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sábado, 21 de junho de 2014
Futuro
Existem aqueles momentos que vemos coisas que não existem. Nossa cabeça começa a pensar, pensar e vai criando coisas tão reais que somos capazes de jurar que são verdadeiras. Mas não. Muitas coisas acontecem e nesses acontecimentos nossos desejos, nossas ilusões influenciam e turvam nossas vistas.
Sabemos a verdade e ao simples piscar de olhos os cenários mudam e piscamos mais e eles continuam reversando entre o sim e o não. Nossas mentes dizem uma coisa, mas nossos corações veem outra e começamos a ouvir as vozes do passado, buscamos experiências para saber que caminho tomar, mas nada, nada do que aconteceu te dá a certeza do que pode acontecer. O futuro a Deus pertence. Nessa de queremos ter certezas e de nos limitarmos pelos nossos medos, caminhamos em corda bamba que nos leva pra lá e pra cá numa eterna incerteza do que virá.
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Aproveitar as Oportunidades
Túlio estava indeciso do que fazer, dias haviam se passado e Mayra não havia dado sinal de vida. Será que era ele que tinha que ligar? Poxa, mas ela já sabia das intenções dele, fora ela quem não permitiu que conversassem para saber o que aquele beijo e aquela noite tão agradável iriam gerar, então ele esperou que ela ligasse, desse sinal de vida. Quando perguntava por Mayra à prima, ela sempre dizia "Está bem." Isso era vazio demais. Pensou em escrever um e-mail, era mais distante e se ele levasse mais um fora seria menos doloroso, além do mais ele poderia ficar relendo o fora até acreditar que não tinha chances e desistir de vez dessa obsessão. Porque aquilo já estava virando obsessão. Ele não pensava em outra coisa. Na verdade estava ficando ridículo e Túlio estava disposto a dar a última cartada, se não desse em nada esqueceria Mayra. Havia outra garotas que se interessavam por ele. A própria Letícia já tinha dado umas olhadas intencionais pra ele, de repente até daria certo. Ela era muito bonita também. Tinha um corpo e tanto e ele perdendo tempo com aquele amor sem jeito. Estava decidido, daria a última cartada nesse jogo longo e ― até agora ― sem futuro nenhum.
Oi meu amor, você sumiu de novo. Será que esqueceu de mim? Queria muito conversar com você sobre aquele maravilhoso beijo que me faz sonhar até agora. A gente pode se ver?
Não, está muito forçado! Não era assim que ele queria que ela visse. Parecia até que ele estava cobrando uma satisfação. Teria ele virado mulherzinha nos assuntos amorosos? Escreveu outro.
Oi Mayra, tudo bem? A gente não se falou mais. Preciso conversar com você sobre nós. Me liga!
Leu e releu os e-maisl várias vezes, tentou rescrevê-los, mas ficava sempre exagerado para um dos lados: ou ficava piegas demais como o primeiro, ou informal demais como o segundo. Decidiu não mandar nenhum. Tinha de ser mais corajoso, afinal ele era um homem ou um rato? Resolveu ligar. Assim não dava para planejar e desse no desse não tinha nada gravado. As palavras ditas marcam só a quem ouvem, mas as escritas marcam a todos que leem. Era melhor ele se arriscar a levar um fora sozinho que ter em sua caixa de e-mail um fora formalizado.
TÚLIO: Alô, Mayra?
MAYRA: Oi... Túlio.
Túlio sentiu uma certa decepção na voz de Mayra. Ela sempre fazia aquilo e ele se sentia meio desprezado. O que sentia por ela era verdadeiro e ela não era capaz de ver que ele era bem melhor pra ela que Arthur, que tinha namorada. Às vezes, aquilo o irritava.
TÚLIO: Oi minha gatinha, como você está? Estou com saudade, queria te ver.
Mayra do outro lado da linha não tinha certeza se queria ver Túlio. O beijo tinha sido sensacional, mas ela não sabia ainda se queria namorá-lo e claro que depois de um beijo o certo é que ele pergunte novamente se ela vai aceitá-lo. Ela não tinha resposta e resolveu adiar isso.
MAYRA: Rsrs... também quero ver você. Mas agora as provas estão para começar e não vou poder me distrair com nada. Assim que elas passarem eu te ligo e a gente marca alguma coisa, tá?
TÚLIO: Ah, tá certo. Tudo bem. Mas me liga mesmo, viu. Não foge de mim.
MAYRA: Pode deixar que ligo sim. Beijos.
Túlio teve vontade de dizer "Beijos, meu amor. Eu tô morrendo de saudade de você. Não paro de pensar em nós. Será que tenho uma chance agora?" Porém mais uma vez achou que estava agindo como mulherzinha e disse apenas:
TÚLIO: Ok. Vou esperar. Beijos. Pensa em mim entre o intervalo de um estudo para outro.
***
Mayra ficou pensando em tudo que estava acontecendo, se odiou por alguns instantes. Por que não posso amar o Túlio? Seria tudo tão mais fácil. Ela realmente não sabia o que fazer naquela situação. Sua cabeça dizia: Namore o Túlio, com o tempo, com certeza, você gostará dele. Quem não gosta de ser bem tratada e desfilar com um gato de matar de inveja qualquer outra menina? E seu coração dizia: Você ama o Arthur, precisa esperar por ele. Se namorar com o Túlio e ele souber, aí sim é que ele não vai querer saber de você nunca mais. Era um impasse tudo aquilo, mas o destino mandou uma resposta rapidinho.
Naquele instante mesmo, a campainha de sua casa tocou e Marianna, uma garota da escola que estuda com Mayra e que nos últimos tempos estava se aproximando mais dela, chegou trazendo notícias não muito agradáveis. Estavam se tornando amigas. Letícia andava até enciumada, porque naquele momento mais do nunca precisava da amizade de Mayra. Esquecia que amizade quanto mais melhor e que Marianna estava entrando para o ciclo de amigos para ser mais um apoio, mais uma pessoa legal e extrovertida.
―Oi, amiga. E aí as novas?
― Ainda bem que você chegou. É uma ótima hora. Túlio me ligou.
― Ai amiga, aquele gato... eu morreria só em saber que ele me queria, imagine ele correndo atrás de mim. Ai...ai...
― Calma aí que você sabe muito bem que não é assim que as coisas funcionam né? Enfim... ele ligou, queria me ver, mas eu fugi.
― Por que você faz isso com você? Não entendo. Juro que não entendo.
― Não entende? Como não entende? Tem o Arthur...
― Para tudo. É essa a notícia ruim que tenho pra te dar. Na verdade não tem Arthur. Ele está muito bem com a tal Bruna. Ela desculpou o lance da tapa na cara do Túlio. Só Deus sabe o que ele disse, mas ela resolveu aceitar...
― Mas amiga ele me ligou pra ir à praia.
― Com você ou com a galera?
― Com a ga le ra. ― disse já entendendo onde a amiga queria chegar com aquela colocação.
Não era novidade nenhuma ele ligar para sair com a galera. Não seria um encontro e agora Mayra até agradecia por não ter ido, afinal, ver Arthur e Bruna era a última coisa que ela queria.
― Então, amiga. ― disse segurando as duas mãos de Mayra. ― Para com isso, você tem a oportunidade de ser feliz, tem o cara mais gato e desejado por todas e tá aí morrendo pelo Arthur que tem namorada e sinceramente, se ele quisesse mesmo alguma coisa com você, teria aproveitado o lance do aniversário para terminar tudo com Bruna. Mas não. O que ele fez foi inventar uma desculpa qualquer e tentar ficar bem com ela. Abre o olho. Uma oportunidade perdida, estará perdida para sempre. Ouvi essa frase no filme O Clube do Imperador e ela se encaixa perfeitamente no caso.
Mayra caiu em si e uma lágrima teimosa caiu no canto de seu olho esquerdo.
― Não fica assim, Mayra. Eu quero te ajudar a sair dessa. Já faz tanto tempo. Mais de ano se passou. Eu sei que o Arthur é fofo, que ele é tem um jeito diferente dos outros garotos, eu sei de tudo isso, mas amiga, abre o olho. Você está perdendo seu tempo, deixando passar emoções que você poderia viver. Se um dia for para você e o Arthur ficarem juntos, vai acontecer. Só estou te pedindo para não deixar a vida passar, esperando por um alguém que está vivendo, que está namorando.
― Eu sei Mari, mas é tão difícil. Nem eu entendo direito isso que sinto. Deve ser uma doença, sei lá... uma coisa que não passa e quando eu vejo eu tenho me iludido com o sorriso dele, com um recado, com uma ligação chamando para sair com a galera. Pra falar a verdade só agora me dei conta que ele me chamou pra sair com a galera. Sei lá... na minha cabeça ainda estava que ele havia convidado a mim, entende? Parece que eu minto pra mim mesma.
Marianna abraçou a amiga.
― Tenha calma, não fique assim. Tudo isso vai passar. Mas você precisa se abrir a novas coisas. Já ouviu a frase que diz que só se esquece um amor com outro.
Mayra balançou a cabeça afirmativamente.
― Então... aceita o Túlio. Fica com ele e ver no dar. Você não está aceitando um pedido de casamento, é um namoro e ele sabe que você gosta do Arthur, ele terá paciência em esperar seu tempo, amiga. Ele tem provado isso. Quero muito que você não sofra desse jeito, porque não há sentido algum nisso tudo, entende?
― Entendo sim. ― Mayra falava entre lágrimas e enxugava as mãos com as costas da mão. ― Vou dar um basta nisso. ― levantou a cabeça, respirou fundo. ― Realmente já deu o que tinha de dar. Chega!
― É isso aí, amiga. Assim é que se fala. Mas me conta do Túlio. vamos falar do que realmente vale a pena.
Mayra começou a conta da saída com Túlio e todo o resto. No início meio desanimada, ainda pensando no que acabaram de conversar, mas logo foi se empolgando e lembrando dos detalhes daquela noite agradabilíssima com Túlio e do passeio de carro e das brincadeiras e risos e quando percebeu já estava empolgada e sorrindo.
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sexta-feira, 20 de junho de 2014
Fernando de Noranha
Sempre ouvi falar de Fernando de Noronha como o paraíso e coisa e tal, das águas cristalinas etc etc... tudo isso que com certeza você também já ouviu falar, mas estar lá é uma emoção a parte. Até eu que não sou muito defensora da natureza, apesar de amá-la e respeitá-la, achei que é uma coisa perfeita. Ali você reafirma que Deus tem tudo sob controle e que é perfeito em tudo que faz.
Lá é uma cidadezinha pequena, bem parecida com essas cidades que chamamos aqui no Ceará de "cidade do interior", mas rodeada de praias maravilhosas. Quando a gente vê as fotos, pensa que são apenas cartões postais, mas que nada, é lugar próprio de banho mesmo. Nada de cartão postal intocável, foi isso que mais me surpreendeu.
Os passeios de barco são deslumbrantes e o banho no mar cristalino cheio de seres lindossss, das mais variadas cores e formas é um plus em todo já maravilhoso.
Quem puder, conheça o arquipélago de Fernando de Noronha!!!
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sábado, 14 de junho de 2014
DEPOIS DA PRAIA
Arthur chegou cansado. Praia
sempre enfada e ele nem gostava tanto, foi mais pra ver a Mayra e no final ela
nem foi e ele ainda ficou sabendo de algo que preferia nem saber, enfim... um
dia meio perdido. Só não tinha sido totalmente perdido, porque ele estava com
os amigos. Almoçou e foi deitar um pouco, adormeceu de cansaço e quando acordou
tinha nada mais, nada menos que 35 chamadas não atendidas e 3 mensagens de Bruna.
"Amor, kd você?", "Amor, já liguei mil vezes e você não
atende.", "Amor vê se retorna minhas ligações, não tem graça essa
brincadeira..." Ele olhou cada uma das mensagens fez um muxoxo com o canto
da boca e jogou o celular na cama. Não queria falar com Bruna. Não queria pensar em dar satisfações. Odiava quando ela entrava nessa de namorada dona de tudo. Nem namorados eram, não entendia porque ela agia como se fossem noivos.
Foi só adormecer novamente que sua mãe chamou.
―
Arthur, acorda filho, tem visita pra você.
―
Visita, mãe? ― falou meio arrastado já sabendo que só poderia ser Bruna que
achou pouco perturbar virtualmente e agora queria perturbar ao vivo. ― Por que
a senhora disse que eu estava em casa, hein?
―
Ah, Arthur, não me meta nas suas coisas. Você arranja suas sarnas e depois não
quer cuidar delas. Te vira, garoto! ― falou aborrecido que era pra Arthur nem esticar a reclamação.
A
mãe de Arthur odiava mentiras, ainda mais mentir por uma bobagem daquelas, ele
sabia que não aconteceria nunca. Arthur levantou-se lentamente, se enchendo de
paciência para as milhares de perguntas que Bruna faria pelo seu
desaparecimento e sinceramente ele estava sem saco nenhum para respondê-las,
porém não tinha jeito: a garota estava ali em sua casa. Caminhou até a sala e
como imaginara, Bruna estava lá sentada no sofá com as pernas cruzadas, batendo
levemente o pé no chão com cara de enjoo.
Ao
vê-lo ela piorou a sua cara de enjoo e assim que a mãe de Arthur saiu da sala
ela mostrou a que veio.
―
Olha Arthur, se você está pensando que vai me fazer de idiota, você está muito
enganado. Estou de saco cheio desses seus sumiços, dessas suas ignoradas nas
minhas ligações, enfim...
Arthur
já não queria dar satisfações e depois daquilo tudo a coisa piorara muito. Porque ele poderia até dar satisfação quando alguém se fazia de vítima e vinha
cheia de carinhos, podia até ser, mas quisesse ver ele com raiva viesse
cobrando coisas e acusando disso e daquilo.
―
Pra começar Bruna, melhore seu tom, primeiro porque você está na minha casa, segundo
porque você me acordou e terceiro porque não sou seu.
―
Nossa Arthur, não precisa ser grosso. ― fingiu-se de magoada.
―
Grosso? Você me liga 30 vezes. Não sabe ter calma pra eu retornar, me manda
mais três mensagens. Por que você faz isso? por que você não age como uma
menina normal?
― Eu sou normal, Arthur.
Arthur
virou o rosto impaciente.
―
E quem está dizendo que você não é? Só estou te explicando que não é assim que
as coisas vão dar certo.
De
saco cheio daquilo tudo e com raiva ainda por saber que Mayra estava com Túlio,
ou tinha ficado com ele ou saído com ele, Deus sabe mais lá o que, Arthur
pensou em mandar Bruna embora e nunca mais aparecer. Mas como ele iria esquecer
Mayra ― que pelo visto já o tinha esquecido ― se ficasse sozinho?
―
Onde você esteve? Por que não atendeu minhas ligações? ― Bruna falou numa voz
mais calma tentando segurar toda a raiva que sentia.
―
Eu estava com meus amigos na praia. Não vi suas ligações. Cheguei muito
cansado, almocei e fui dormir e agora estou aqui te dando satisfações da minha
vida como se eu tivesse sumido por uma semana. O que mais você quer saber?
―
Calma Arthur, também não precisa me tratar mal. Você sabe que sou preocupada,
eu pensei que tinha acontecido alguma coisa. ― mentiu invertendo os papeis. ―
Mayra estava lá?
―
Não, não estava. Por quê? Já te falei que ela é só uma amiga.
Bruna
viu que Arthur estava muito impaciente e que ela já havia feito tudo que podia.
Já até tentara inverter o jogo e ele continuava ali, firme, com raiva dela pelo
simples fato dela cobrar. Achou melhor recolher as armas antes que ele se aborrecesse
de vez e terminasse tudo. Já tinha engolido um boi inteiro, não ia se engasgar
com um mosquito. Isso era fato. Deu a última cartada.
―
bem, já que você está bem e nada aconteceu, posso ir embora. Realmente fiquei
preocupada que tivesse acontecido algo com você. ― Pegou a bolsa que estava
jogada no sofá e fez direção a porta.
Arthur
nem ao menos tentou impedi-la. Se ela ficasse ali mais um segundo falando
aquele monte de besteiras e cobrindo ele de perguntas ele terminaria tudo.
Então era melhor deixá-la ir. Quando bruna saiu, Arthur deixou-se jogar no
sofá. O qe estava fazendo? Usando uma pessoa? Não, ele não era daquele jeito.
Será que tudo aquilo era porque Mayra estava saindo com outro? Precisava
pensar, não ia fazer Bruna sofrer mais, ela não merecia, além do mais devem ter
milhares de garotos querendo namorá-la e não fazia sentido impedir sua
felicidade.
Numa
coisa Arthur estava certo, havia alguns garoto que daria qualquer coisa para
namorar Bruna e ele realmente estava usando a garota para esquecer Mayra.
***
Letícia
chegou em casa e sua mãe estava chorando. Ela vinha tão feliz, apesar de não
ter se despreocupado de todo, tinha aliviado um pouco na praia com os amigos,
mas parece que era só chegar em casa para ver que a realidade estava
completamente oposta ao relaxamento.
―
O que houve, mamãe.
―
Seu pai, Letícia. Seu pai pirou de vez?
―
O que está acontecendo com vocês, mãe? Vocês se davam tão bem e agora vivem
brigando. Não bastou a briga de ontem?
―
Essa ainda é resquícios de ontem, filha.
―
Mãe, tenha calma. As coisas não se resolvem brigando. Cadê a Lêda?
―
Sua tia veio pegá-la para passar o dia lá e eu achei melhor assim. Não quero
que ela sinta nada por nossos problemas.
―
O que está acontecendo? ― perguntou Letícia mais uma vez.
―
Brigas, filha. Todo casal é assim. Não se preocupe.
Como
não se preocupar. bastava chegar em casa e lá estava todo aquele clima, toda aquela
confusão. Sabe quando você está feliz, sorridente e de repente tudo desmoronar.
Melhor mesmo seria nem se divertir, assim ela nem se iludia, viveria aquele
inferno dia após dia.
Jogou
a mochila na cama e foi tomada por um misto de raiva e tristeza, nem ela mesmo
sabia explicar. Como é que pode ela tão jovem ter que entender e ajudar sem ao
menos saber o que estava acontecendo. Andava de um lado para o outro sem saber
o que fazer, uma lágrima escorreu de cada olho, ela percebeu que a situação
deveria ser grave. O que o pai fez? Ou teria sido a mãe? Por que de tantas
brigas? Por que eles não fingiam ao menos? Ela realmente estava muito triste
com aquilo.
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quinta-feira, 12 de junho de 2014
DOMINGO DE PRAIA
Ainda
era manhã e como era domingo, costumava-se dormir até mais tarde, porém o
telefone tocou acordando Mayra. Meio sonolenta sem olhar quem era,
atendeu.
―
Alô? ― respondeu com o rosto afundado no travesseiro, sem muito interesse.
―
Alô. May? É o Arthur.
Quando
ouviu aquele nome, Mayra quase caía da cama. Levantou-se de um susto, deixou o
celular cair e pegou-o bem ligeiro.
―
Oi Arthur, tudo bem? Que horas são?
―
Nove. Mas tô te ligando porque os meninos estão combinando de irmos todos à
praia e aí te liguei pra saber se você está a fim de ir conosco.
―
Sim. Tô. Só preciso ver se minha mãe vai deixar, mas falo já já com ela.
―
Pois daqui a meia hora estamos te esperando na casa da Tifany. Vamos sair de
lá, viu. Tchau. Até daqui a pouco. Não se atrase!
Mayra
se levantou com o coração aceleradíssimo por causa da surpresa. Arthur?!
Ligando pra ela? Ô meu Deus, porque isso acontece logo hoje? Perguntou a si
mesmo. Calçou as chinelas de qualquer jeito e correu no quarto da mãe. Beteu à
porta.
―
Mãe, vou à praia.
―
Ei, ei, ei... calma aí mocinha, não é assim não. Você já saiu ontem. Não acha
que está bom, não?
Ainda
pensou em fazer gracinha e dizer "sim, mãe tá bom e é por isso que quero
mais", porém preferiu:
―
Mãe, por favor... a galera vai todinha.
―
Sinto muito, filha, mas não é assim. Você está em aula. Ainda que fosse férias,
eu até deixaria. Você sabe como as coisas funcionam aqui em casa né?
―
Ah, mãe, por favor... não faz isso comigo. ― disse numa voz melosa misturando
súplica e um quase choro.
―
Não, May e não insista, por favor. ― voltou para cama e bateu a porta do
quarto.
Mayra
não acreditava naquilo. Não acreditava que ia ter que ligar para o Arthur e
dizer que não podia ir. Logo no dia que o Arthur ia e quem sabe sem Bruna!
Mayra não sabia se Bruna havia perdoado ou não Arthur, mas torcia que ela
tivesse se tocado e não estivesse com Arthur. Uma lágrima escorreu no canto do
olho. Nem mesmo Mayra sabia se era de raiva ou de dor de não estar ao lado de
Arthur. Já era tão raro se verem ― considerava raro, porque depois do episódio
do aniversário não tinham se visto mais, apesar de que normalmente se vissem,
pelo menos, uma vez por semana ― e agora aquilo, a mãe simplesmente não a
deixava ir. Que ódio! Não restando outra opção ligou para Arthur.
MAYRA:
― Alô, Arthur? Não poderei ir. ― disse numa voz triste.
ARTHUR:
― Por quê? O que houve?
MAYRA:
― Minha mãe não deixou. Disse que vamos almoçar fora e não tive como
convencê-la. ― Jamais Mayra diria a Arthur que não ia com ele porque havia
saído com Túlio na noite anterior.
ARTHUR:
― Tá. Vamos sentir sua falta. Beijo.
MAYRA:
― Tchau. ― disse numa vozinha triste.
O
fato é que triste ou não, Mayra não iria à praia com os amigos.
***
―
Gente, a Mayra não vai. ― a fala de
Arthur saiu meio arrastada como se estivesse decepcionado.
Houve
uma tristezinha pela ausência da amiga, mas seguiram viagem sem Mayra mesmo. Arthur
imediatamente pensou "Poxa, eu nem disse a Bruna que ia pra me sentir mais
a vontade com a Mayra e ela não vai. Não acredito". Podia ter sido a
chance de conversarem sobre a cena de ciúmes, mas Arthur e Mayra teriam de dar
outro jeito para se verem.
Praiazinha
no domingo, sol, amigos, amores, bolinha pra jogar na areia e muita, muita
alegria. Era assim que os meninos estavam.
―
Joga pra mim! ― gritou Thayná.
―
Deixaaaaa! ― Myrella gritava do outro lado.
Arthur
preferiu ficar na barraca, depois jogaria um pouco, tinha sido um balde de água
fria pra ele. Ele realmente pensara que Mayra estaria lá e claro que ele estava
com vergonha dela, mas fingiria que nada havia acontecido e se ela perguntasse
qualquer coisa, seja lá o que fosse, ele desconversaria.
―
E aí Arthur, a Mayra nem veio, né? Ainda bem porque assim ninguém corre risco
de ser esmurrado. ― brincou Dário.
―
Ahhh para! Você ainda tá lembrando disso, cara? Até parece que o esmurrado foi
você.
―
Ahh por falar em esmurrado, o Túlio e a Mayra saíram ontem. ― disse Tifany que
estava do outro lado da mesa tomando uma água de coco e fingindo que não estava
participando da conversa.
―
Ah foi é? Bom pra eles? ― retrucou Arthur como se não tivesse nem uma
importância.
Saber
que Mayra estava saindo com Túlio dava a Arthur a certeza de que ela havia
aceitado o namoro e com certeza estava com raiva dele por ele ter batido no
namoradinho. Ah, que seja!
―
Perdido por pouco, perdido por muito. ― Pensou alto.
―
Como foi Arthur que você disse? ― Tifany percebeu que Arthur havia ficado chateado e continuou
cutucando a onça com vara curta. ― Você não se decidiu logo, ficou fazendo doce
com essa Bruna aí, perdeu!
―
Que perdeu, que nada! Quem disse a você que estou a fim da Mayra?! Quero mais é
que ela seja feliz com quem ela escolheu. Não tenho culpa se seu primo se contenta com uma garota que não gosta dele. Fazer o quê, né? Tem pessoas e pessoas...
Tifany
soltou uma risada de quem alcançou o objetivo com Arthur. Arthur acho melhor
jogar, ficar na barraca pensando em Mayra nos braços de Arthur não dava mesmo.
―
Ei galera, joga aqui.
Dário
chamou a atenção da namorada que não tinha nada que ter contado a Arthur, sobre
a saída de Mayra, que o Arthur tinha a Bruna e não estava nem aí para Mayra.
―
Humrum, sei. Percebi.
O
jogo rolava a toda, mas Arthur não pegava nem uma bola, estava distraído. Não
era pra ser assim, mas saber que Mayra esteve com Túlio, incomodava-lhe um
pouco. E o que mais incomodava era saber que ela gosta dele e que ele não pode
arriscar seu tempo com Bruna, que não era lá essas coisas todas, mas já durava
uns dois meses e ele não era nenhum mal caráter para de uma hora pra outra,
antes de pedir a menina em namoro dizer que não a queria mais. Ia preferir
ficar na sua. Também pensou que já estava meio tarde pra se decidir por Mayra.
***
Letícia
estava lá tomando um sol e tentando esfriar a cabeça depois do que passara
noite passada. Queria que Mayra tivesse ido, seria bom desabafar pessoalmente.
Nem tinha conseguido contar a ela direito como tudo tinha sido e queria também
saber da saída de Mayra e Túlio. Nessas horas não há nada melhor que ouvir
histórias emocionantes para esquecer de suas desventuras.
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LETÍCIA
A
volta pra casa foi tranquila. Depois do beijo, tanto Túlio quanto Mayra fingiram
que nada havia acontecido e continuaram seu passeio pela beira-mar. Arriscaram
até andar de trenzinho da alegria. Mayra estava, diferente do início do passeio,
completamente livre e queria mesmo era aproveitar tudo aquilo e Túlio fazia o
mesmo já que era coisa rara Mayra aceitar seus convites românticos.
Pararam
na porta da casa de Mayra antes das 22:00 horas para alegria e despreocupação
de D. Nalva. Túlio desligou o carro e virou para Mayra:
―
Adorei nosso passeio. Saiba que, independente do que aconteceu, sou seu.
Sempre...
―
Também adorei o passeio. ― Aproximou do rosto de Túlio para dar um beijinho de
agradecimento, mas o garoto não perdeu a oportunidade e virou um pouquinho o
rosto resultanto em outro beijo que Mayra não negou. ― Tchau.
Mal
o carro avançou, D. Nalva já estava no portão recebendo a filha que entrou
muito sorridente e preferiu dizer apenas que tinha adorado o passeio. Só aí Mayra
resolveu olhar seu celular que estava esquecido no fundo da bolsa. Havia três
chamadas de sua melhor amiga Letícia e algumas mensagens da menina que parecia
desesperada pedindo que Mayra assim que visse aquela mensagem lhe ligasse não
importava a hora.
MAYRA:
― Amiga, o que houve? Só agora vi suas mensagens.
LETÍCIA:
― Amiga, houve uma discussão horrível aqui em casa entre meus pais. Não o que
está havendo, mas agora eles brigam sempre. Aí eu fiquei tão nervosa que
precisava conversar com alguém. Mas já estou mais calma, amiga. Só um pouco
preocupada, pois meu pai saiu muito aborrecido, enfim...
MAYRA:
― Fica assim não, amiga. Vai dar tudo certo. Todo casal briga. Não se preocupa.
Teu pai é um homem tão calmo, ele não vai fazer besteira nenhuma.
LETÍCIA:
― É... mas e aí me conta como foi o passeio com o Túlio?
MAYRA:
― Nada disso. Hoje você está no foco. Quero te ver bem, depois conto do
passeio.
LETÍCIA:
― Ô amiga, isso só vai acontecer quando meu pai estiver em casa e o clima
estiver mais calmo.
***
Letícia
ouvira o pai falar em ir embora e ela sabia que a mãe era uma pessoa difícil.
Difícil, mas muito dedicar e esforçada pela família. Só em pensar nessa
hipótese, seu corpo tremia. Nunca tinha sido assim. Ela lembrava perfeitamente
que os pais eram muito unidos, brincavam junto com ela e com Lêda, sua irmã
mais nova que agora contava sete anos, uma criança ainda. Não, não queria nem
pensar na hipótese de separação. Sua irmã ainda era uma criança nem tinha
condições de entender direito tudo que havia se passado. Os pais brigaram em um
volume mediano e se ela não fosse tão atenta nem tinha percebido a gravidade.
Ir embora... aquela frase não abandonava sua mente, ficava girando, girando,
como se fosse um letreiro em led, mas já estava tarde e ela precisava descansar
para quem sabe conversar com o pai pela manhã ou pelo menos sentir como estava
o clima entre eles. Sabe-se que depois de uma briga nada melhor que um tempo
para acalmar os ânimos e deixar a poeira baixar.
Demorou
muito a dormir, pois a tal frase teimava em dançar em sua mente, mas o cansaço
venceu Letícia quando ouviu, lá pelas duas da manhã, seu pai chegando. Percebeu
também que o pai dormiria no sofá da sala, pois ouviu uma movimentação
suspeita, mas nem arriscou dar uma olhada, a casa já estava em silêncio e além
do mais não era legal ela se intrometer.
De
manhã, tomaram café juntos: pai, mãe e filhas, mas nem uma palavra foi
pronunciada de um com outro. Era domingo e costumeiramente nós saíamos para
almoçar fora. Lêda perguntou:
―
Vamos almoçar em qual vovó hoje?
―
Na casa da vovó Célia, filha. ― respondeu Sr. Pedro antes que a mãe de Letícia
tivesse a chance de pensar em responder.
Íamos
mais para vovó Célia, que era mãe de Pedro, porque ela morava mais perto. Então
não houve estranhamento e a mãe gostou que Lêda perguntasse, assim era ficaria
sabendo sem se dar ao trabalho de ter que puxar conversa. O clima estava
pesado, mas o pai estava em casa e era isso que importava pra Letícia, então ela
fingiu que estava tudo ótimo como sempre.
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